O Presidente João Lourenço, na qualidade de Campeão da União Africana para a Paz e Reconciliação em África e Presidente em Exercício da organização, apelou ao reforço da concórdia, da unidade e da paz no continente africano, por ocasião do Dia da Paz e Reconciliação em África.
“Irmãs e Irmãos Africanos,
Neste dia 31 de Janeiro, consagrado à Paz e à Reconciliação em África,
sintome profundamente honrado, na minha qualidade de Campeão da União
Africana para a Paz e Reconciliação em África e de Presidente em Exercício
da União Africana, por poder dirigir-me às dignas filhas e filhos de África,
para vos transmitir os meus votos sinceros de concórdia, união e paz para o
nosso continente.
Esta comemoração remete-nos para a importância de nos empenharmos na
construção de uma África estável, pacífica e onde a paz e reconciliação
constituam prioridades a serem tidas permanentemente em conta, tal como
está contemplada na Agenda 2063, que reflecte bem a “A África que
Queremos”.
Este dia não é apenas uma celebração, é um convite para reflectirmos sobre
os desafios de paz e segurança que infelizmente persistem no nosso
continente.
Este exercício de introspecção profunda traz-nos à memória alguns dos
nossos eminentes precursores da Liberdade e da Independência de África,
que souberam fazer a síntese do sentir do homem africano, dizendo, como o
fez Nelson Mandela, que “A reconciliação não é uma forma de varrer a dor
para debaixo do tapete, mas um esforço tangível para reparar as injustiças
históricas”, ou ainda Kwame Nkrumah, quando disse que “Divididos, somos
fracos; unidos, África pode tornar-se uma das maiores forças para o bem no
mundo”.
Estas figuras notáveis deixaram-nos a lição que devemos reter sempre,
segundo a qual a paz e a reconciliação são, ao mesmo tempo, um dever moral
e uma necessidade estratégica que não conseguiremos realizar enquanto nos
confrontarmos no nosso continente com desafios que vão desde os golpes de
Estado, passando pelo terrorismo e o extremismo violento, até aos conflitos
armados e às tensões comunitárias, que põem em causa e condicionam
seriamente os propósitos de construirmos o progresso, o desenvolvimento e
o bem-estar de todos os africanos.
Perante estas provações, destaco nesta data a urgência de não abdicarmos
nunca dos nossos propósitos de continuarmos firmes e mobilizados para
transformar as vulnerabilidades em força, as divisões em unidade e as
ameaças em oportunidades.
Irmãs e Irmãos Africanos,
A União Africana dispõe dos mecanismos necessários para dar respostas
adequadas e robustas às situações de crise referidas, mas temos todos que
convergir os nossos esforços e as nossas atenções para um mesmo ponto, em
que, unidos e coesos, trabalhemos no sentido de garantir a operacionalidade
e a eficácia dos referidos mecanismos sempre que se tornar necessário fazêlos funcionar para assegurar a estabilidade, a paz e a segurança, factores que,
conjugadamente, concorrem para o relançamento das economias africanas e
do desenvolvimento do nosso continente.
Minhas Senhoras, Meus Senhores,
A paz e a reconciliação em África serão conquistas mais duradoras sempre
que se reforçar, nas nossas sociedades, a consciência sobre a relevância do
entendimento entre todos.
A participação activa de mulheres e jovens é determinante, pela sua grande
sensibilidade para as consequências dos conflitos, por serem geralmente as
principais vítimas dos mesmos.
É por isso essencial que se escutem as vozes das mulheres e dos jovens, que
têm muito a transmitir aos políticos, aos governantes e às sociedades
africanas de uma maneira geral, sobre a sua visão a respeito dos conflitos e
sobre o seu papel na busca de soluções para estes problemas, para cujo efeito
o nosso continente dispõe do Fórum Pan-africano para a Cultura da Paz e
Não-Violência em África.
A também conhecida Bienal de Luanda levará a efeito a sua IVª edição em
Outubro próximo, durante a qual esperamos poder contar com uma
participação activa dos segmentos da população antes referidos, por terem
uma função central na contribuição que podem prestar à resolução pacífica
dos diferendos com que o nosso continente ainda se debate.
A Bienal de Luanda, organizada conjuntamente pelo governo da República
de Angola, a União Africana e a UNESCO, mais do que um evento, é um
espaço onde os jovens podem expressar as suas aspirações, onde as mulheres
podem partilhar as suas experiências de mediação e reconstrução e onde as
nossas sociedades podem aprender a transformar as diferenças em
mecanismos propulsores do entendimento, da concórdia, da democracia, da
paz e do desenvolvimento.
Muito obrigado pela vossa atenção! “
